Divisão de tarefas domésticas: dois pesos e duas medidas

Ao abordar o tema da divisão de tarefas, sempre me pego pensando na estrutura familiar em que cresci: pai provedor e mãe dona-do-lar. E este foi o combinado deles desde o início do matrimônio, dentro dos moldes que faziam sentido à época.
Mas, me questiono se essa estrutura ainda faz a minha mãe feliz. A sociedade é outra e a apreciação sobre o trabalho doméstico sempre foi baixo, além de nunca ter sido devidamente reconhecido ou remunerado.
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Fonte: pxfuel.com/oezfx.

Aqui, um possível contraponto para desenrolar a discussão poderia advir da divisão entre casais que são recém casados ou juntados. E, infelizmente, mesmo ambos trabalhando com a mesma carga horária, as mulheres não somente se identificam mais com as tarefas domésticas, como também são as principais responsáveis pela limpeza e organização do lar.
Uma das grandes justificativas do homem é dizer que farão o trabalho no momento que preferirem. Acontece que há o tempo da própria casa, na qual necessita de limpeza com frequência específica que não necessariamente está alinhada com a boa vontade do residente de sexo masculino. E daí, a mulher acaba acumulando as tarefas do parceiro, reduzindo o tempo que dispõe para se desenvolver, descansar ou mesmo fomentar um hobbie.
Há quem testa deixar a louça apodrecendo na pia. Muitas chegam a depois jogar parte dos itens fora. E eu fico imaginando que este assunto sequer deve fazer parte da pauta da conversa dos homens, em rodas de amigos. Pois, então, desperdiçamos tempo duas vezes: fazendo a parcela do trabalho que cabiam a eles e, ainda, reclamando da negligência ao mesmo tempo que tentamos traçar estratégias eficazes para engaja-los neste assunto.
Também já presenciei homens que tentam compensar a ausência da participação com dinheiro investido nas contas da casa. Mas esta solução depende do montante ganho, por mês e por pessoa (sobre isso, ler este post). Se funcionar para o casal, ótimo. Do contrário, sugiro dividirem o valor pago para uma terceira pessoa realizar o trabalho e, assim, ambos ficam com tempo igualmente disponível para utilizarem como quiserem.
Em casa, exercitamos o prazer de cuidar daquilo que é nosso - e, isso envolve cuidar da casa, incluindo sua manutenção, e tudo que nela existe - sobre todas as nossas coisas. Talvez alimentar estímulos positivos como este, seja mais agradável na hora de executar os afazeres domésticos ao invés de gritos e discussões que não levam a lugar nenhum. 
Mas, para finalizar, a prática feminista aqui é um mistério. O que dá certo para mim, pode não fazer sentido para o relacionamento que você vive. De todo modo, quem tiver experiências com resultados fatídicos, por favor compartilhe nos comentários. 

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