Isolamento social: uma reflexão sobre a realidade feminina

Sabemos que a expectativa social gera aprisionamentos diversos com relação a conduta adotada no dia-a-dia ou mesmo em decisões importantes ao longo da vida. Basta observar a reação de pais, mães e amig@s quando você decide pedir as contas para viver da internet ou gastar todo o seu dinheiro em um empreendimento disruptivo.
Quando o assunto é gênero, a expectativa social traz ainda menos benefícios que poderiam, em contrapartida, fomentar o desenvolvimento da mulher em diversas áreas (espiritual, profissional, acadêmica, dentre outras).
Com relação a isso, hoje vi um meme na internet que me incomodou muito. Trouxe ele para cá para que possamos discuti-lo:
E aí vem a pergunta: o isolamento social já era uma realidade para muitas mulheres em nosso país, antes mesmo da pandemia? E a resposta, infelizmente, é sim! 
Além de casos que configuram cárcere privado ou outras situações menos extremas ligadas ao machismo, há ainda a rotina de muitas mulheres que, frente aos diversos papéis sociais, se veem sem tempo suficiente para alocar em diversão, relaxamento, cuidados pessoais, ou seja, em si mesmas.
Ao se deparar com dados como os relatados na postagem anterior, tomamos consciência de que a mulher dedica muito mais tempo nos afazeres domésticos e cuidados com familiares do que os homens. Veja abaixo, dados que corroboram essa realidade:
A quase totalidade (92,6%) da população brasileira feminina de 14 anos ou mais, que representa mais de 80 milhões de pessoas, realiza afazeres domésticos e cuidados de pessoas, em uma média de 21 horas semanais, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), referente ao quarto trimestre de 2018 (Fonte: Agência IBGE Notícias).
Essa alocação de tempo impede que a mulher consiga dedicar momentos para se autodesenvolver. Isso quer dizer que, independentemente se há filhos na convivência familiar ou não, a mulher ainda é prejudicada com relação a divisão de tarefas domésticas.
Para além da reflexão acima, ainda temos o comportamento enraizado em nós, sociedade no geral. Nós já partimos do pressuposto que os homens não fazem o trabalho doméstico da melhor maneira e isso gera retrabalho para a mulher, então preferimos assumir ao invés de dividir.
Na mesma esteira, nos sentimos na obrigação de ter uma casa limpa e arrumada, especialmente quando o ambiente for receber visitas. Muito provavelmente a alegação da sujeira virá na direção da mulher e nunca do homem, mesmo que seja uma alegação velada recheada de olhares de desaprovação.
Claro que há diversas exceções a regra. Mas, são raros os casais que conseguem equilibrar esse elenco de atividades. No entanto, a prática feminista sugerida é: não se identifiquem com o trabalho doméstico! Tratem esse assunto com o mesmo distanciamento tratado pelos homens.
Frases como "ele me ajuda em casa" devem ser abolidas do seu repertório. Não há ajuda, há divisão igualitária. E, se você fizer parte de um casal homoafetivo, não atribua papéis que se igualam àqueles já testados (e fracassados) de homem-e-mulher, como citado acima.
Nós temos potencial para ir além e reorganizar os papéis sociais. Uma dica é nos policiar para não atribuir, em nossas falas, esses lugares fixados e retrógrados de atuação social. As maiores interessadas somos nós mesmas (então, atenção!).
O importante, no fim das contas, é se sentir bem e ver sentido naquilo que fazemos todos os dias. Por isso, para fechar, chamo a atenção para casais que possuem a dinâmica de mulher-do-lar e provedor-do-lar: se funciona e você é feliz, continue! Não há direito algum em julgar a vida das outras, ok? Mas, é sempre válido olhar para dentro e se perguntar: (e)s(t)ou feliz?

Post a comment

0 Comments