Figura aspiracional e hostilidade: aspectos da vida profissional

O ambiente corporativo insiste em apresentar abordagens hostis, especialmente quando o assunto é gênero. Este tema é o foco da presente discussão, pois a maior preocupação é a descrença de mulheres em si mesmas. E, atitudes como as que serão descritas, só fazem tal sentimento aumentar.
Para começar, à título de ilustração, a presença de homens tende a mudar a dinâmica de reuniões de trabalho com times majoritariamente femininos. Claro que, em se tratando de um sistema socialmente complexo - como são as organizações, qualquer novo integrante tende a mudar a dinâmica das relações. Mas a questão aqui é, apesar das diversas formas de manifestação discriminatória, voltada pontualmente para a construção da figura feminina em cargos de liderança.

Executivos que negociam em uma reunião | Foto Grátis
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Sobre representação, portanto, quando o assunto é mercado de trabalho, as mulheres ainda são minoria nos cargos de liderança. E mesmo quando chegam lá, além de lidar com os desafios do cargo, podem ainda se deparar com comportamentos prejudiciais ou tóxicos frente a outras colegas mulheres.
Há uma competição feminina desde os tempos que nos fechávamos nos quartos, ainda longe da vida pública, relatando os dissabores que a vida somava, inclusive com relação a traições dos maridos.
Construímos, a partir disso, uma relação de rivalidade que tarda a ser consertada. Mulheres reparam maldosamente em outras mulheres e dificilmente se veem como potenciais parceiras logo num primeiro contato.
Esta é uma questão afeta ao universo feminino que também atinge o ambiente corporativo.
Bom, além dos conhecidos dados de disparidade salarial e a questão de falta de representatividade citada acima, há a prática do mansplanning que consiste em homens explicando coisas às mulheres como se explicassem a uma criança. E o problema é que fazem, por vezes, sobre assuntos que são de domínio da mulher.
Atitudes como as descritas acima são problemáticas em pelo menos dois aspectos: permanência de ambientes dominados por homens e violência psicológica sofrida por parte das mulheres que passam, inclusive, a duvidarem da própria capacidade por conta dessa dinâmica bastante tóxica a elas.
A prática feminista, aqui, é não aceitar este tipo de comportamento. Mas, também, não replica-lo ao atingir posições superiores na hierarquia organizacional. Pois é, muitas mulheres acabam reproduzindo comportamentos que ferem o próprio gênero do qual fazem parte. 
Paulo Freire já havia nos avisado do círculo vicioso: pessoas, quando deixam a condição de oprimido e assume a de opressor, tendem a replicar o mesmo comportamento que há pouco as feria. Não faça isso e também não consintam, não admitam que outras o façam!

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