O machismo doméstico no cenário de pandemia

A pandemia, além de isolar ainda mais as mulheres em situação de vulnerabilidade de amigos e familiares, ainda mexe com a masculinidade dos agressores que, por sua vez, descontam a raiva e descontentamento nas mulheres. Veja o trecho abaixo, retirado de uma matéria do Huff Post Brasil:
“O impacto da epidemia é muito sério para as mulheres. E existe, sim, a possibilidade de que casos de violência doméstica aumentem. A mulher, certamente, fica sem o trabalho; mas para o homem isso é algo que mexe com a masculinidade. Eles, em casa, podem exercer o comportamento violento com mais frequência. Esse é um problema muito sério”, afirma a professora Bila Sorj, do departamento de sociologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e coautora de Trabalho, Logo Existo (FGV, Editora). 
Um dos grandes desafios do isolamento que estamos vivendo é encarar a si próprio e os demais que compartilham o mesmo teto. E isso é um tanto quanto extremo quando pensamos que hoje não mais casamos pautadas em imposição paternal. 
Com outras palavras, deveríamos ter a liberdade de escolher com quem estamos, colocando nossa felicidade e saúde em primeiro lugar. Nem sempre é possível, especialmente quando essa prisão é mental ou, no pior cenário, através do uso de força e submissão psicológica.
A pandemia do novo coronavírus tem colocado as mulheres, vítimas de violência doméstica, em maior risco. Nessa situação, além de sair de casa equivaler maior risco para a saúde, permanecer também pode trazer riscos a integridade física e mental da mulher.

- Você não está vendo as notícias? Por que vai sair de casa?
- Vai pra lá, mulher! Eu faço o que quiser da minha vida e você cuida da sua.
[Algumas horas depois...]
- Cadê aquela f*lha da p*ta? Estou com fome, cadê o almoço?
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Crédito: Marcos Santos/USP.

O diálogo acima é algo comum da rotina de mulheres vítimas de violência machista. Além de, muitas vezes, prezar pela saúde e bem-estar do parceiro, recebe em troca a violência e hostilidade de quem não sabe domar a si mesmo e muito menos viver em comunhão, com amor e respeito.
O ciclo da violência doméstica, segundo a psicóloga norte-americana Lenore Walker, possui três momentos: aumento da tensão, ato de violência e, por fim, lua de mel. Esta última faz com que a mulher acredita que dessa vez será diferente, ele me ama e não posso deixa-lo. A ilustração abaixo demonstra o ciclo:

Ciclo de violência (ilustrado acima) é vivido por grande parte das mulheres vítima...
FONTE: HELÔ D'ANGELO
O que podemos fazer para colaborar? Vamos compartilhar, aqui, instruções de como se proteger e buscar ajuda, em situações de emergência, nos locais adequados e preparados para sua demanda, em cada localidade geográfica. Neste sentido, destacamos que os serviços prestados pelas Delegacias de Defesa da Mulher continuam funcionando durante 24 horas na quarentena. Qualquer registro de ocorrência, é possível utilizar o serviço online da Polícia Civil do Estado de São Paulo
A qualquer tempo, também é possível acionar o botão de pânico no aplicativo SOS Mulher da Polícia Militar. O aplicativo faz alusão a lei Maria da Penha na composição do layout da ferramenta propriamente dita, nas diferentes abas dedicadas ao socorro e apoio psicológico às vítimas.
Esperamos ter munido de informações úteis as nossas leitoras, seja para utilizarem os recursos supracitados, se informar ou compartilhar com quem precisa. 
Uma mensagem final, com respeito e apoio a quem precisa: cuidem-se! Não sejam iludidas por promessas vazias. A face do amor não deve nunca carregar violência e abuso. Estamos juntas!

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