Ser feminista e ser mãe

Olá, como vai? Hoje vamos falar de dois assuntos que algumas pessoas tem visto com certo ar de cinismo quando os aproximamos em uma mesma discussão: maternidade e feminismo.
Vejo muitas amigas e colegas colocando ambos os assuntos como antagônicos: "se tiver filhos, como poderei cuidar de mim? Vou abdicar a minha liberdade e o meu tempo tendo filhos". De fato o recurso tempo é subdividido nos diversos papéis sociais que assumimos, o que quer dizer que se adicionarmos o da maternidade haverá ainda menos tempo para outras coisas.
Eu particularmente ainda não sou mãe, mas sou filha, noiva e mulher. E, sinceramente? Quem precisa rever, mais do que ninguém, o posicionamento é a figura paterna. O pai, na maioria dos casos, era ausente por conta do trabalho. Hoje, essa realidade é dupla dentro de casa: tanto pai quanto mãe muitas vezes compartilham o mesmo ritmo profissional. Mas, ainda assim, o homem sacrifica menos tempo aos filhos do que a mulher.

De outro modo, se até então as mulheres dominavam o espaço doméstico e familiar por conta da clara divisão de atribuições, hoje tudo isso cai por terra. O que ainda não caiu foi a ficha de muitos homens, que acreditam que os filhos recorrem mais à mãe. Enfim, há uma construção de muito tempo aí.
A relação de mãe e filh@ de fato é socialmente complexa. Por exemplo, além do tempo de gestação - que invariavelmente a criança passa o tempo todo com a mãe, ouvindo a sua voz e sentindo as suas emoções -, há a ausência da barreira de roupa. O antropólogo inglês Ashley Montagu, em seu livro "Tocar" (1971), argumenta que a proximidade de pele da mãe com o filho acabou revestindo de maior afeto a relação maternal.
Bom, o que podemos então fazer? Cabe a nós permitir que sejam criados estímulos que coloquem os pais em pé de igualdade com os filhos. Por outro lado, os pais devem ter em mente que se trata de um relacionamento e, exatamente por isso, precisa ser construído. Além disso devem compartilhar a responsabilidade desde o nascimento - é comum, por exemplo, ver pais com fobia de ficar sozinhos com os bebês. Isso não é justo com ninguém.
Daí vem os argumentos: mas a natureza nos colocou como mais próximas dos filhos, não adianta dispor tempo para outros cuidarem se no fim somos nós que damos a luz e amamentamos. É claro que não podemos terceirizar o parto, mas podemos interromper o profundo grau de identificação que possuímos com a atividade de "cuidar dos filhos". Como? Confiando mais tarefas aos pais, estimulando essa aproximação e nunca dizendo "ah, o pai me ajuda". Não! o filho é de ambos e, por isso, não tem essa de ajudar, mas sim de cada qual assumir a sua parcela de responsabilidade, que deve ser igualmente distribuída. Isso também é verdade para as mães solteiras e pais solteiros, ok? 
O relacionamento entre pais separados também deve ser saudável, pois isso irá refletir diretamente no que a criança entende por relacionamento entre adultos e, mais ainda, entre pai(s) e mãe(s).

Viva a maternidade! Viva a paternidade! Colocar filhos no mundo é fácil, o difícil é dar exemplo ;)

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