Vox: uma reflexão sobre o silenciamento político das mulheres

Em plena leitura de Vox, uma novela da linguista Christina Dalcher, eu perdi a minha voz. Esse fato acabou me envolvendo ainda mais com a estória, ampliando o peso da Laringite sobre minhas cordas vocais e também sobre a minha postura política ainda muito tímida.


O instigante livro de Christina Dalcher não dá fôlego em nenhum de seus oitenta capítulos extremamente curtos - duas a quatro páginas cada. O que nos estimula em uma leitura ininterrupta na qual coloca nossa consciência em alerta sobre a responsabilidade política da cada uma de nós.

A todo o tempo, a personagem principal, Jean, relembra as falas de sua melhor amiga de faculdade. As falas sempre são no sentido de movimenta-la a favor dos direitos das mulheres, mas ela - por n questões corriqueiras (estudar para prova, ir a biblioteca, etc.), não participa de nenhuma discussão, muito menos de um ato político.

Após um tempo, quando já formadas, o governo é dominado por uma onda de pessoas intituladas puras. A ideologia do grupo é de cunho religioso e remonta o modelo de família praticado nos anos 50: mulher circunscrita na esfera doméstica, cuidando dos filhos, sem atrapalhar o ambiente profissional, público ou científico com questões ligadas a família, TPM ou licença-maternidade.

Tal governo acaba adotando uma medida drástica: instala uma pulseira que permite o pronunciamento de 100 palavras diárias para todas as mulheres, independentemente da idade. E esse é apenas o início da trama e eu não quero dar spoilers, portanto: leiam!


Mas antes, o que quero chamar a atenção com esse livro, aqui no blogue, é para a responsabilidade de cada uma e de todas nós sobre a importância de se posicionar politicamente, em todas as esferas. Seja em uma reunião familiar, de trabalho ou dentro de um grupo de amigas, faça o seu trabalho de esgotar os absurdos que ainda são jogados aos quatro ventos e que, por incrível que pareça, as pessoas - conscientes ou não - ainda não se dão conta do peso do discurso nas práticas sociais do dia-a-dia e como isso constrói a realidade que nos cerca. 

Esvazie o sentido de ações misóginas e posturas submissas de todas aquelas que você tem contato. Em linhas gerais e para terminar: faça a sua parte, pois ela é extremamente importante, acredite!

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