Representação das personagens femininas

Historicamente, a figura feminina remete fragilidade. Como podemos observar amplamente nos primeiros jogos japoneses, como Super Mario e a princesa a ser resgatada em sua narrativa. Posteriormente, na tentativa de quebrar essa perspectiva subalterna da mulher nos jogos e, principalmente, atrair o público feminino para consumir os artigos gamers, os desenvolvedores começaram retratar a mulher como uma heroína, mas gostosa (vide Lara Croft). 
Ou seja, houve um esforço de convidar as mulheres para integrar o rol de jogadores mas, por outro lado, não podiam deixar de manter a lealdade do público masculino. Para tanto, recorrer ao apelo sexualizado das personagens femininas sempre foi uma estratégia eficaz. Mas as coisas estão mudando...
Trazendo esta discussão para os limites de Summoner's Rift, apesar da proprietária do League of Legends, Riot Games, retratar personagens femininas como fortes, ainda há muita sexualização. Seios e glúteos são amplamente expostos quando se trata de mulheres, e numa escala bem maior quando comparada aos personagens masculinos. 
Orientada pela professora Luciana Panke, Maria Luiza Petranski Arantes (2016) indicou o fetichismo que perpassa a construção da imagem das campeãs de League, através de fantasias sexys de profissões ou animais, por exemplo. Para ilustrar, a pesquisadora citou as seguintes skins: Caitlyn e Vi Policial, Akali Enfermeira, Nidalee Camareira Francesa, Riven Coelhinha e Katarina Gatinha.
Vale a pena conferir na íntegra, realmente um TCC muito interessante! 👉 ARANTES, Maria Luiza P. Sexismo nos campos de justiça: o posicionamento de marca interferindo na jogabilidade de League of Legends. Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel no Curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, Setor de Artes, Comunicação e Design, da Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 2016.
Outra observação que vale ressaltar é a respeito da disparidade encontrada em algumas coleções de skins. Como podemos observar nas splash arts a seguir, o cargo subalterno de enfermeira (sensual) foi reservado justamente para personagem feminina, enquanto os outros dois recebem as prestigiosas titulações de "cirurgião" e "clínico geral":
Por outro lado, não podemos ignorar recentes criações que afastam qualquer estereótipo sexualizado das personagens femininas de LoL. Illaoi, Rek'Sai e Taliyah são campeãs que fogem dos parâmetros masculinos para design de jogos. As duas primeiras pertencem à classe dos lutadores, a Illaoi também pode ser tanque, enquanto a Taliyah reside na categoria dos magos e suportes.
Vale refletir também que, mesmo a narrativa do personagem expressar características como força, destreza, inteligência, dentre outras qualidades, a representação gráfica pode ferir essa tentativa de igualdade. Por isso, as três campeãs citadas por último representam um grande avanço, pois demonstram a consideração efetiva dos desenvolvedores pelo público feminino gamer, e como nós queremos e podemos ser adequadamente representadas.

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