Estética aplicada aos games

Todos nós somos sensíveis a muitas coisas. Eu, por exemplo, sou sensível, como podem reparar, a comportamentos machistas e homofóbicos, e problematizar estes comportamentos é uma das minhas ocupações. E você, muito provavelmente, também se interessa por games da perspectiva de gênero - pois está aqui lendo esta postagem sobre o assunto 😊
Existe um braço teórico da Comunicação chamado Estética da Comunicação, explicado brilhantemente pelo professor Luís Mauro em seu livro, que leva exatamente este título: a estética não é algo relacionado, necessariamente, às obras de arte. 
A palavra "estética" (do grego Aisthesis) significa sensibilidade. Falar sobre o assunto que te incomoda, ao contrário do que me iludi anteriormente, ajuda mostrar para o outro o que pode estar afetando uma possível relação saudável. Combater conflitos desnecessários através do diálogo é, sem dúvida, uma maneira inteligente de guiar a vida. 
Neste sentido, o professor Luís Mauro nos dá uma dica quanto à consciência. Não podemos ter, mesmo que conheçamos alguém intimamente, um conhecimento integral sobre a outra pessoa, muito menos no decorrer de uma partida de MOBA (Multiplayer Online Batle Arena), geralmente com pessoas desconhecidas. Conhecer o outro é sempre, e em diversos níveis, uma possibilidade parcialmente ínfima.
Por outro lado, podemos traçar pistas sobre aquela pessoa, pois compartilhamos meios e mensagens uns com os outros, e é justamente neste contexto que nos reconhecemos como "eu", no olhar do outro é que nos integralizamos enquanto ser social. Por isso, tão importante se configura a luta para ter nosso lugar, nosso espaço nos games.
Ainda ontem li, em um grupo no Facebook sobre gênero e LoL, sobre a desistência de uma menina em jogar, pois estava fazendo mal todas as ofensas que lia diariamente. Isso é motivo para nos entristecer e envergonhar. Parafraseando alguns filósofos, o comunicólogo Luís Mauro diz que nossa liberdade é possível na medida em que agimos sem considerar as amarras ideológicas, políticas ou religiosas que a todo momento nos freiam. 
Em outras palavras, não podemos deixar que o mau comportamento e linguagem negativa de outros players nos impeça de jogar. E é realmente muito importante alterar aquilo que vem sendo retratado como normal, por ser comum: a discriminação e o comportamento ofensivo, por qualquer pretexto ou motivo, não devem ser tolerados. Se não mudar por nós, mudem pelas gerações que virão.
"O Ser é resultante de sua relação a partir da qual aprende a ser o que é. E, nesse sentido, a formação de qualquer indivíduo está intimamente vinculada à possibilidades de saber não apenas o que se é, mas também o que dizem que se é" (MARTINO, 2007:44).

Por fim, no ambiente gamer estamos lidando com diversos mundos sensíveis ao mesmo tempo. Cada um é complexo a ponto de nos escapar qualquer potencial de agradar o tempo todo. Mas, temos diversas ferramentas que nos permite mudar esta discriminação e, portanto, deixo aqui um apelo aos desenvolvedores de jogos: não ignorem aquilo que já está, há muito, sendo reclamado. Nos dê poder de voz para alterar o comportamento destrutivo e, para isso, ajudem na construção da linguagem no ambiente gamer! E vocês, gamers, não ignorem o papel central nesta empreitada 🎮

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