Anti-feministas?

O feminismo é um conceito bastante disperso, ou melhor, um movimento que possui várias vertentes, impossível de abrigá-las numa única definição. A falta de delimitação deste posicionamento dificulta a compreensão das pessoas acerca das bandeiras defendidas por pessoas que se intitulam feministas.

Entre as próprias autoras feministas, as reivindicações variam desde a liberdade no que tange depilação na área das axilas, até a briga por igualdade salarial, combate a violência contra a mulher, etc.

Dizer que uma pessoa é misógina por não concordar com uma feminista também é um extremo que deve ser evitado. uma vez que a verificação daquilo que o opositor está reivindicando ou expressando aversão, é necessária para não cairmos na ignorância de sermos precipitadamente injustos.

Misoginia é o antônimo de filoginia, que é o apreço, admiração ou amor pelas mulheres, embora o termo "filoginia" possa ser considerado preconceito benevolente.
Basta um pouco de conhecimento - não precisa ser muito aprofundado - para que não cometamos erros absurdos que firam os princípios alheios em nome do discurso do ódio. Não devemos nos pautar nos sentimentos imediatos sobre comentários e falas de terceiros antes de conhecer o contexto e construção cognitiva que aquela pessoa teve.




Os políticos que se posicionaram contra o ENEM, no tocante ao tema da dissertação e inclusão de uma frase de Simone de Beauvoir, são pessoas que não passaram por uma seleção tão rigorosa quanto aos processos seletivos das empresas privadas.

Para ser representante político não é necessário sequer fazer uma prova de língua portuguesa ou que verifique a capacidade de interpretação do candidato. Como então esperar que estes pensem antes de falar? Ou pelo menos raciocine sobre uma obra de grande importância para um movimento que, basicamente, visa a igualdade e combate a repressão sobre as mulheres. Eles nem sequer conseguiriam ler e interpretar um livro desses considerando o contexto no qual foi escrito...

A culpa é de quem? Podemos começar dizendo que é nossa mesmo. Ou pior ainda, reconhecer que uma grande parte das pessoas são, de fato, ignorantes, e por isso temos muitos representantes que, afinal, representam os posicionamentos machistas e largamente conservadores do nosso país.

As relações sociais e expectativas que pautam o comportamento mudam conforme variam os sexos das pessoas com as quais nos relacionamos em diversas situações. Ignorar essa constatação impede mesmo maiores compreensões acerca da frase: "Ninguém nasce mulher: torna-se mulher." E muitos dos políticos que se manifestaram sobre o assunto parece não se importar com essas diferenças que, com certeza, impactam a vida das mulheres.



Desde muito cedo, meninas e meninos recebem tratamento diferenciado. No âmbito doméstico, tarefas são distribuídas e encaradas de maneira diferente. E claro, isso acontece pelo que é tomado como comum. É comum a mãe fazer comida, lavar roupa, lavar louça, limpar a casa. 

Enquanto a mulher se identificar com o trabalho - não remunerado - doméstico, sua ascensão social sempre será prejudicada. É dever, mais do que qualquer outro homem, a mulher se impor e exigir igualdade desde, e principalmente, dentro de casa. Isso também ajudará a figura paterna ser promovida no relacionamento com os filhos que, se pararmos para pensar, a maior identificação dos filhos com as mães é uma construção alimentada pela mesma sociedade que condena a ausência da responsabilidade dos pais na criação dos filhos.

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