Velhos argumentos não servem para explicar novos cenários

Incomoda ouvir argumentos do tipo: "não existem muitas mulheres no challenger" (no caso de League of Legends), ou ainda, "não há mulheres referência na área" (música, por exemplo). Argumentos desse tipo subentendem, por indução, que a falta de exemplos infere na incapacidade feminina de alcançar maiores patamares. 

As pessoas esquecem que a desigualdade de oportunidade, atribuição de tarefas diferentes e disposição de tempo são alguns dos elementos que atrapalharam a competição das mulheres por posições de liderança. Antes nem marido podíamos escolher .-.

Se antes a mulher pertencia ao âmbito privado, aquele dentro dos limites familiares, hoje o cenário é outro. Mulheres vem construindo uma nova história, decidindo pelo rumo de suas próprias vidas. São instruídas, são chefes, são mães solteiras, são gamers, tudo por opção.



A autora Fanny Tabak escreveu, num livro sobre mulher e política, que existe excesso de modéstia, timidez, sentimento de inferioridade e até mesmo certo comodismo, que ajudam manter a maioria das mulheres numa posição subalterna, ainda hoje, na sociedade.
[...] refletir, em boa medida, o processo de ascensão da mulher, ao nível de relações sociais mais abrangentes. [...] filiar-se a um sindicato, passando a interessar-se pela sua atuação, ao participar de um congresso para discutir temas ligados a sua condição feminina, ao frequentar reuniões de pais de alunos e até mesmo assembleias de condomínios de seu edifício, assim como ao manifestar-se publicamente contra ou a favor de determinadas medidas do governo, a mulher está fazendo política, no melhor sentido do termo e disso deve estar bem consciente.  Fonte: TABAK, Fanny. Mulher e política. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.
Traduzindo para nosso caso, posicionar-se com relação ao ambiente hater dos jogos online é fazer política. Ignorar que existe discriminação de gênero (sim, não somente contra mulheres, mas também contra homossexuais) é prolongar o tempo que levará para as coisas mudarem, para a dominação masculina acabar.