Sexismo no desenvolvimento de jogos

As formas de representação da mulher na sociedade sempre foram pautadas por elementos subjetivos, por inclinações de julgamento e rotulação que escapam à racionalidade. E os games não fogem dessa lógica, pura e simplesmente por que são pessoas que pensam e desenvolvem o design deles.

Uma breve visão histórica: o Ocidente teve uma formação do pensamento influenciado pelo patriarcalismo. Não obstante, na época da burguesia, mulheres competiam ao âmbito privado, sendo a vida pública de exclusivo domínio do homem. 

A dívida de igualdade de gênero apresentada atualmente pela sociedade pode ser interpretada como uma dívida histórica, presente ainda hoje em vários campos sociais, do político até de interação social online. E trazendo para o caso dos jogos, estes teimam em ilustrar o sexo feminino com apelação sexual.

Não adianta tentar combater a discriminação somente na esfera relacional, esquecendo que os desenvolvedores de jogos também podem colaborar para a hostilização da mulher mediante a figura feminina sempre denotar "objeto sexual", reafirmando um rótulo subjetivo que diminui a mulher em relação ao homem.

Essa história tem muitas faces que deveriam ser discutidas antes de atribuirmos culpa a um ou a outro. Na antiguidade, mesmo se verificarmos na mitologia grega, a mulher também carregava o poder da sedução, perigoso ao homem que decide o bem-estar público. Até hoje, em filmes ou seriados, sereias, por exemplo, são representadas como personagens sedutoras e com potencial de desviar a conduta alheia.

Bom, este post é mais para tentar refletir como o papel dos desenvolvedores contribui para a alimentação dos rótulos que a sociedade carrega desde seus primórdios, sem tentar apontar culpa, mas procurando articular as várias faces que a mulher foi submetida ao longo do tempo e como a sociedade pode responder, cada vez melhor, a elas.