Menos cantadas, por favor!

Discriminação é "fazer uma distinção", distinguir, segregar. Tal postura é observável tanto na hostilização da mulher, quanto na emissão de cantadas e xavecos, em ambientes de jogos online.
Ora, se discriminar é tratar diferente, uma cantada pode ser lida como discriminatória. Em assédios verbais na rua, alguns indicam a roupa provocativa como argumento que justifica tal. Na internet, o argumento para incriminas a mulher será a voz sexy?
Cuidado, aqui não estamos apontando cantadas como sendo invariavelmente assédio. Para caracterizar o assédio, o consultor jurídico adverte: "[...] deve haver a presença de dois elementos comuns: práticas materialmente repreensíveis e práticas realizadas com o objetivo de obter benefício de natureza sexual", ou seja, oferecer coisas materiais em troca de benefícios afetivos, ou ainda, tentar convencer a pessoa tendo em vista o sexo.

"A pesquisa Chega de Fiu Fiu, com 7 762 mulheres, revela que 98% já sofreram algum tipo de assédio em locais públicos e 68% foram insultadas depois de não terem correspondido a uma cantada." Fonte VEJA, 14/10/2013.
O problema não é a cantada em si. Elogios são ok. Mas, o emissor deve estar atento quanto reciprocidade ou mesmo a permissão do outro ou da outra. Ou seja, por exemplo, se uma menina retribuir é porque não se incomodou com sua atitude. Entretanto, se ela mudou o tom de voz negativamente, ou parou de digitar, você precisa verificar se não foi um incômodo desnecessário.
Olha, e não é somente com quem lhe interessa. Você deve ser coerente, tratando todas de maneira igual, obedecendo ao que você acredita. Portanto, se você é contra as meninas que se aproveitam da situação, que sabendo da inclinação que alguns caras tem de colocá-las no pedestal apenas pelo fato de serem bonitas se aproveitam disso, seja coerente e tratem-nas como iguais! Sua postura pode ajudar na mudança lenta que estamos almejando. Pois, mesmo essas meninas que tiram proveito ajudam reforçar estereótipos negativos que afetam elas mesmas. Ajudem-nas a mudar o pensamento também.
Se tratando de hostilização da mulher, muita gente não entende, não concorda ou ignora o que é replicado na internet. A contribuição de cada um é de extrema importância, e deve ser realimentada a cada oportunidade.